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Quinta · 1º de outubro de 2026 · Edição #95
Bom dia. Evitar substâncias tóxicas é um dos seis pilares da medicina do estilo de vida, e logo pensamos em álcool e cigarro. Mas penso que, de forma ampla, podemos englobar nessa categoria os vícios. Na sexta passada, as bets foram proibidas no Brasil. É só uma medida provisória, que vale por até 120 dias e precisa ser analisada pelo Congresso, e a segunda e a terceira derivadas dessa decisão ainda veremos. Somos exemplo mundial no combate ao tabagismo, e que, como nação, possamos nos livrar também desse vício. A longevidade agradece.
  Resumo da edição
🔔 Quanto custa uma notificação? A gente sabe que o celular come o nosso tempo, mas tem um segundo custo, que continua depois que você larga o aparelho. Um experimento francês mostrou que cada notificação de rede social deixou as pessoas mais lentas por uns sete segundos, sem que elas percebessem. Você vai ver como o teste foi feito, o que ele não prova, e por que agrupar as notificações pode funcionar melhor do que desligar todas.
🌊 O tempo que vale a pena viver: O ortopedista Dr. Luiz Delboni Marchese conta da semana em que operou pacientes com mais de 80 anos, todos por decisão própria, cansados de conviver com a dor. Ele junta Epicuro e os estoicos a um estudo que mostrou esses pacientes melhorando tanto quanto os mais novos depois da prótese de joelho. E fecha com a pergunta que move o texto, quanto do tempo que resta vai ser de fato vivido.
🌸 Por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome? A síndrome atinge uma em cada oito mulheres, e em maio um consenso internacional trocou o nome dela, porque as bolinhas que aparecem nos ovários não são cistos e o problema vai muito além deles, com hormônios e insulina no centro. Você vai entender o que o nome novo diz sobre a doença, por que ela aumenta o risco de diabetes e de doença do coração, e o que a ciência já sabe sobre prevenção.
📰 Notícias da semana: A partir de 1º de outubro, os planos de saúde precisam cobrir o DIU hormonal para quem tem endometriose. Um exame de sangue que procura vários tipos de câncer ficou perto da aprovação nos EUA, com uma ressalva importante que a gente explica. E ainda tem o McDonald's de olho em quem usa canetas emagrecedoras, a conta da McKinsey sobre os anos de vida saudável que perdemos para riscos evitáveis, e a inteligência artificial dos médicos que vai começar a criar remédios.
📚 Vale Saber: Fechamos com James Fries, o médico de Stanford que formulou a ideia de adiar o começo das doenças para que o tempo vivido doente fique curto, no fim da vida.
  ATENÇÃO
Quanto custa uma notificação?

Existe uma máxima no mundo da tecnologia que diz que, quando você não paga por um produto, você é o produto. É o que acontece com as mídias sociais. A gente acessa o YouTube, o Instagram, o X e outros de graça, e o produto ali somos nós. Ou melhor, o nosso tempo e a nossa atenção.

No mundo de hoje, que o filósofo Byung-Chul Han chamou de sociedade do cansaço, a nossa atenção é um dos bens mais preciosos. Todas as empresas, e os grandes executivos de marketing, buscam estratégias para atrair a sua atenção. Sabendo disso, uma das coisas mais importantes é ter consciência do valor da nossa atenção e tentar decidir para onde ela vai, sem deixar que decidam por nós. Ela deveria estar nas coisas que realmente importam, nas coisas que são nossas de verdade. Por isso vale a pergunta: quanto custa aquilo que tira a nossa atenção?

O custo mais óbvio é o tempo. Se você passa duas horas preso numa rede social, são duas horas do seu dia com a atenção onde você não queria. Mas tem um segundo custo, que continua depois que você larga o celular. A atenção demora um tempo para voltar inteira ao que você estava fazendo, e nesse intervalo você fica mais lento. Um grupo de pesquisadores franceses foi medir esse custo. Cada notificação de rede social deixou as pessoas mais lentas por uns sete segundos, sem que elas pegassem o celular, e, na média, elas não sentiram que tinham sido atrapalhadas. O estudo, liderado por Hippolyte Fournier, é das universidades de Lyon e Grenoble e foi publicado em janeiro na revista Computers in Human Behavior.

A tarefa era um teste clássico de atenção. Aparecia uma palavra de cada vez, como "azul" escrito em vermelho, e a pessoa tinha que apertar a tecla da cor da tinta, e não a da palavra. Como a gente lê sem querer, acertar exige concentração. Tudo aparecia numa tela desenhada como a de um iPhone, e quatro vezes ao longo do teste descia do alto uma notificação, só com o ícone e o nome do app, que ficava uns quatro segundos e subia de volta. Os participantes não tocavam nela.

Os pesquisadores sortearam 180 universitários em três grupos, para separar o que atrapalha. O primeiro foi levado a acreditar que as notificações vinham do próprio celular, ligado ao computador do laboratório. O segundo via as mesmas notificações sabendo que não eram suas, e o terceiro via só um borrão no mesmo lugar.

Nos dados que os autores deixaram públicos, cada resposta do primeiro grupo levava uns três quartos de segundo, e a primeira depois da notificação levou quase meio segundo a mais. O atraso só sumiu depois da quarta palavra, uns sete segundos depois, quando a notificação já tinha saído da tela. Dos 60 participantes do grupo, 56 ficaram mais lentos. No grupo que sabia que as notificações não eram suas, o atraso foi menor, e no grupo do borrão quase não apareceu.

A explicação dos autores é que, de tanto repetir, o cérebro aprendeu que aquele ícone costuma trazer algo que interessa, e reage mais quando ele pode ser para a gente. Quem mais se atrasou foi quem recebe mais notificações por dia e pega o celular mais vezes, enquanto o tempo total de tela pesou menos. Para os autores, o cuidado deve mirar o número de interrupções, e não só as horas de tela.

Os participantes eram estudantes de 20 anos em média, que passavam quase sete horas por dia no celular (você leu direito), e a tarefa era de laboratório, com só quatro notificações por pessoa. Eu não sei se o atraso é o mesmo aos 50 anos, e o estudo também não responde isso. A comparação entre número de notificações e horas de tela veio dos 60 participantes de um grupo só, e o tempo de tela quase mostrou efeito também. E o impacto foi medido em uma atividade simples, mas quando estamos concentrados em algo complexo, suponho que o impacto é muito maior.

Já tratamos do celular na edição 17, com um estudo em que 467 pessoas se comprometeram a bloquear a internet do celular por duas semanas. No grupo que bloqueou, o tempo de tela caiu de 5h14 para 2h41 por dia, e a atenção melhorou num teste, num tamanho que os autores compararam a dez anos de perda de atenção com a idade. Mas só um em cada quatro conseguiu manter o bloqueio em pelo menos 10 dos 14 dias. Funciona, mas é difícil. Um caminho mais fácil aparece num experimento de 2019 com 237 pessoas, sorteadas para receber as notificações de jeitos diferentes por duas semanas. Quem recebeu tudo agrupado em três horários, às 9h, às 15h e às 21h, relatou mais atenção, mais produtividade e menos estresse. Quem ficou sem notificação nenhuma não ganhou atenção e ficou mais ansioso, com medo de perder algo importante.

Na edição 17, a dica era acabar com as notificações, e esses estudos deixam a dica mais elaborada. Você pode agrupar as notificações em poucos horários do dia e silenciar as de rede social, que foram as que deixaram as pessoas mais lentas no estudo francês.

Independentemente do método, a pergunta prática é quantas das horas no celular foram uma decisão sua e quanto da sua atenção está naquilo que realmente importa?

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  A voz do especialista
O tempo que vale a pena viver
LM
 
Texto escrito por
Médico ortopedista e cirurgião de coluna, CEO e cofundador da Care Club.

Recentemente operei alguns pacientes acima de 80 anos na mesma semana. E isto me fez refletir. Nenhum caso de urgência, eles vieram por decisão própria, cansados de conviver com uma dor que já tinha imposto limites demais ao dia a dia. Confesso que, há uma geração, essa conversa provavelmente nem chegaria ao consultório. Na minha formação, aprendíamos uma lógica que parecia razoável na época: a partir de certa idade, o risco cirúrgico deixa de compensar, porque não haveria tempo de vida suficiente pela frente para justificar o benefício. Uma conta fria entre risco e tempo restante, quase contábil.

Essa conta está mudando. E acho que a mudança é menos médica do que parece, é filosófica.

Epicuro tinha um argumento que parece truque de lógica, mas não é: a morte não deveria nos assombrar porque, enquanto existimos, ela simplesmente não está aqui, e quando chega, já não estamos mais para senti-la. Na prática isso quer dizer uma coisa bem simples, não deixar o medo do fim descontar valor do tempo que ainda sobra. Um paciente de 82 anos que decide operar a coluna para voltar a caminhar na praia não está negando a própria finitude, ao contrário, está fazendo o oposto do que a ansiedade manda. Está se recusando a gastar o tempo que tem preocupado com o tempo que não vai ter.

Os estoicos chegam num lugar parecido por outro caminho, e aqui vale abrir um parêntese porque é um ponto que costumo repetir aos pacientes e às famílias: aceitar os limites do corpo, para Sêneca e Marco Aurélio, nunca quis dizer parar de agir dentro deles. O tempo não é roubado da gente, ele simplesmente é gasto, e a única pergunta que interessa é como gastar bem o que resta. É aí que mora uma tensão que vejo o tempo todo no consultório, e não costuma vir do paciente. Vem da família. "Não vai aguentar", "não vale mais a pena, na idade dele", "deixa como está" são frases ditas com carinho, quase sempre bem-intencionadas, mas que escondem uma resignação que o próprio paciente, aos 80, muitas vezes já superou sozinho. No fim das contas, o gesto mais estoico costuma ser do paciente que decide operar, não de quem decide poupar o corpo de qualquer risco a qualquer custo.

E a ciência, enfim, está alcançando essa intuição antiga, com números. Um estudo publicado em 2025 na revista The Knee acompanhou mais de 10 mil pacientes de prótese de joelho, comparando um grupo de 65 a 75 anos com outro de 80 anos ou mais. O ganho de qualidade de vida, de função do joelho e de satisfação foi estatisticamente igual entre os dois grupos. A única diferença prática foi meio dia a mais de internação. Meio dia, contra anos de mobilidade recuperada, vale a pena repetir essa conta. Nos Estados Unidos, o volume de cirurgias ortopédicas em pacientes com 90 anos ou mais também vem crescendo ano após ano, e não porque a medicina resolveu ficar mais agressiva, mas porque o corpo que chega aos 90 hoje é outro corpo, e a gente aprendeu a devolver função a ele com segurança. Cirurgias minimamente invasivas reduzem agressão.

O dado que mais gostei, admito, veio de um estudo sueco publicado em 2025 na revista Anaesthesia, que acompanhou cirurgias em pacientes de 80 anos ou mais na Suécia. Em vez de medir só sobrevida, os pesquisadores usaram um desfecho chamado "dias vivos e em casa": quantos dias, depois da cirurgia, a pessoa de fato passou vivendo a própria vida, em casa, e não internada, em reabilitação, ou de volta ao hospital. Parece um detalhe metodológico, mas não é. A pergunta deixou de ser "quanto tempo resta" e virou "quanto desse tempo vai ser realmente vivido". Sem citar nenhum dos dois, aquele artigo científico chegou exatamente aonde Epicuro e os estoicos já tinham chegado há dois mil anos.

Não tenho uma resposta fechada sobre até onde vale operar, cada caso é um caso, e acho que qualquer médico que diga o contrário está sendo desonesto. Mas tenho cada vez mais convicção de que a idade sozinha parou de ser resposta suficiente. O corpo de 80 anos tem limites reais, e ignorá-los não é coragem, é imprudência. Só que aceitar o limite do esqueleto é bem diferente de aceitar uma vida menor por causa dele. Os pacientes que tenho visto chegar aos 80 e 90 anos decididos a continuar andando, a operar o que precisa ser operado, a viver o que ainda dá para viver, estão ensinando algo que a filosofia antiga já sabia e que a medicina só agora começou a medir direito: o valor de uma vida não está em quanto tempo ela dura, está em quanto desse tempo é de fato vivido.

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  Ciência na prática
Por que a síndrome dos ovários policísticos mudou de nome?

A síndrome dos ovários policísticos, a famosa SOP, atinge uma em cada oito mulheres, e em maio deste ano ganhou um nome novo. Um consenso internacional publicado na Lancet passou a chamá-la de síndrome ovariana metabólica poliendócrina, que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia já abrevia como SOMP. A troca teve como objetivo mudar o jeito de entender a doença.

O nome antigo vem do ultrassom, que mostra várias bolinhas nos ovários. Elas são folículos, os saquinhos onde o óvulo amadurece, que começaram a crescer e pararam no meio do caminho. Cistos de verdade não aumentam na doença. Os folículos parados são consequência de um desequilíbrio de hormônios e de insulina.

Segundo o consenso, 85% das mulheres com a síndrome têm resistência à insulina, inclusive 75% das que estão no peso considerado normal. O corpo responde mal a esse hormônio, e o pâncreas passa a produzir mais para dar conta do açúcar do sangue. O excesso de insulina aumenta a produção de androgênios no ovário, os hormônios considerados masculinos, junto com sinais do cérebro que fazem o mesmo. É o excesso de androgênio que atrapalha o amadurecimento dos folículos, e daí vêm a ovulação irregular, a dificuldade para engravidar, a acne, a queda de cabelo e o excesso de pelos.

Por isso o nome novo fala em metabólica e em poliendócrina, que quer dizer "de vários hormônios". E por isso a síndrome vem com mais risco de diabetes, pressão alta, gordura no fígado, apneia do sono e doença do coração. Em mulheres ainda antes da menopausa, a chance de infarto foi 2,5 vezes maior, e a de AVC, 1,7 vez maior, num risco absoluto que nessa idade ainda é baixo. Pela diretriz internacional da síndrome, o risco de diabetes vale em qualquer idade e em qualquer peso, e a síndrome acompanha a mulher depois da menopausa.

A troca levou 14 anos de discussão. Participaram 56 organizações, com 14.360 respostas de pacientes e profissionais de saúde, e 86% das pacientes e 71% dos profissionais preferiram um nome que descrevesse a doença. Para os autores, o nome antigo atrasava o diagnóstico e gerava confusão, e até 70% das mulheres com a síndrome ainda não sabem que têm. O diagnóstico não mudou e continua pedindo pelo menos dois de três critérios. O primeiro é ovular pouco ou não ovular. O segundo é o excesso de androgênio, o hiperandrogenismo, visto no exame de sangue ou em sinais como acne e pelos. O terceiro é o ultrassom com muitos folículos nos ovários ou, no lugar dele, o exame de sangue do hormônio anti-mülleriano, o AMH, alto. Nas adolescentes, contam só os dois primeiros. A transição para o nome novo deve levar três anos. Os próprios autores apontam um limite do processo, a pouca participação da América do Sul.

Mudar o nome é um primeiro passo importante, porque abre um nível de consciência e impulsiona a ciência e, principalmente, o conhecimento da população em geral. E, sabendo disso, vem a pergunta: é possível prevenir, já que a síndrome tem um componente metabólico tão importante?

Parte do risco vem da predisposição genética que herdamos. Um dos fatores que podemos modificar é o excesso de gordura corporal. Estudos que usam a genética para investigar causa e efeito indicam que esse excesso contribui para o aparecimento da síndrome. Evitá-lo provavelmente reduz o risco. Esses estudos sustentam uma relação causal, mas não testaram diretamente se evitar o ganho excessivo de peso impede a síndrome.

Começa este ano um capítulo novo para a SOP SOMP, impulsionado por uma atenção maior às doenças que só afetam mulheres. É só o começo, e esperamos que grandes novidades apareçam nos próximos meses e anos.

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  Notícias da semana
💡 A partir de 1º de outubro, os planos de saúde ficam obrigados a cobrir o DIU hormonal para endometriose. A regra é da ANS, a agência que regula os planos, inclui a colocação e vale para quem não pode usar a pílula ou não se adaptou a ela. A doença atinge uma em cada dez mulheres em idade fértil, e o DIU hormonal é um dos tratamentos contra a dor.
💡 Um exame de sangue que procura vários tipos de câncer ficou perto da aprovação nos EUA. O comitê que aconselha a FDA, a agência americana de remédios, votou 7 a 2 que os benefícios do Galleri superam os riscos para quem tem 50 anos ou mais. O porém: no maior estudo, feito na Inglaterra, ele achou uns três em cada dez cânceres. Não substitui os exames de rotina.
💡 O McDonald's estuda um cardápio para quem usa canetas emagrecedoras. A presidente da rede nos EUA contou a investidores que 84% das casas americanas com alguém usando essas canetas frequentam o McDonald's. Os planos são porções menores e pratos com mais proteína, como tigelas com frango grelhado, ainda sem data. As canetas começam a mudar o que a indústria de comida vende.
💡 Saiu recentemente um estudo da McKinsey que afirma que eliminar os fatores de risco que dá para mudar deixaria a expectativa de vida saudável no mundo 12 anos maior em 2050. Entram na conta dieta, sedentarismo, cigarro, pressão e glicose altas e poluição. É um teto teórico, que renderia à economia US$ 16,4 trilhões por ano. No Brasil, esses fatores explicariam 38% da perda de vida saudável em 2050.
💡 A OpenEvidence, a inteligência artificial que os médicos usam para consultar estudos, vai começar a desenvolver remédios. Ela vai começar pelos cânceres raros, e o primeiro remédio deve ser testado em pessoas até o fim do ano. A empresa passou a valer US$ 15 bilhões e fechou com a Anthropic uma versão gratuita para médicos de uns cem países de renda baixa e média.
  Vale saber
James F. Fries, em "The Compression of Morbidity: Near or Far?" (1989)
  "Um modelo atraente para a saúde de um país consiste numa vida coletiva, plena e vigorosa, encerrada por um declínio rápido e sem dor que termina em morte. A hipótese da 'compressão da morbidade' imagina reduzir a carga de doença de um país adiando a idade de início da enfermidade crônica em relação à duração média da vida, de modo que o período de morbidade fique comprimido entre uma idade de início cada vez mais tardia e uma expectativa de vida relativamente fixa."
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