| Para viver mais e melhor. |
| longevidade.news |
| Quinta · 17 de setembro de 2026 · Edição #93 |
| Bom dia. Uma noite bem dormida muda o dia inteiro, o corpo acorda com mais disposição, a cabeça fica mais clara, a paciência dura mais, e mesmo assim o sono costuma ser a primeira coisa que a gente sacrifica quando a rotina aperta. O neurocientista Matt Walker, professor em Berkeley e autor de Por que nós dormimos, escreve que dormir é o que de mais eficaz podemos fazer para restaurar o cérebro e o corpo todos os dias. No fundo, o dia de amanhã começa na noite de hoje. |
| Resumo da edição |
| 🥣 O impacto do açúcar nos dois primeiros anos: Toda criança nasce gostando de doce, e o que ela come nos primeiros anos ajuda a definir quanto açúcar vai achar normal. Por causa da guerra, o Reino Unido racionou o açúcar até 1953, e isso virou um experimento sem planejamento. Quem passou os dois primeiros anos de vida com pouco açúcar chegou à vida adulta com menos ansiedade e menos depressão. A gente conta o que o estudo mostra, onde ele tropeça e por que o paladar pode ser educado em qualquer idade. |
| 🐦 Todo mundo olha para a inteligência artificial. E a inteligência biológica? A Fernanda Bornhausen trabalha com inovação e inteligência artificial há 23 anos, e agora convida você a olhar para uma inteligência bem mais antiga, a dos seres vivos. Ela mostra como as células trocam informação e resolvem problemas em conjunto, e por que a NVIDIA, que fabrica os chips da inteligência artificial, se juntou à Eli Lilly para descobrir remédios. No fim, ela volta à pergunta que move a news, como viver mais anos com saúde. |
| 🥚 Como fazer a proteína virar músculo depois dos 60: Depois dos 60, o músculo aproveita um pouco menos a proteína que você come, mas na maioria dos estudos essa diferença some quando a refeição vem depois de um treino de força. Uma revisão de 46 estudos mostra que o músculo mais velho continua respondendo, só pede um estímulo maior, com a carga certa no treino e proteína suficiente no prato. Você vai ver quanto é esse suficiente e por que um estudo dinamarquês mostra que a carga faz diferença ao longo dos anos. |
| 📰 Notícias da semana: Foi uma semana de muito investimento em longevidade. A Eli Lilly apostou num remédio feito para emagrecer sem perder músculo, dois fundos fecharam acordo para comprar o controle de uma plataforma de suplementos, e duas startups levantaram milhões, uma que usa inteligência artificial no cuidado de idosos e outra que vende peptídeos pela internet. E um remédio criado por IA fez relógios de envelhecimento marcarem idade menor, com ressalvas que a gente explica. |
| 📚 Vale Saber: Fechamos com Mia Couto, escritor e biólogo moçambicano, num trecho sobre um mundo com cada vez mais comunicação e mais solidão, e sobre gente que não lê livros, mas sabe ler a terra, as árvores e os bichos. |
| AÇÚCAR |
| O impacto do açúcar nos dois primeiros anos |

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Quem já teve filho provavelmente lembra do momento em que a criança experimentou um doce pela primeira vez. Um brigadeiro, um pedaço de bolo, um chocolate. A reação costuma ser grande, e tem explicação. A criança nasce preferindo o sabor doce, e Julie Mennella, do Monell Chemical Senses Center, mostrou que essa preferência é mais forte na infância do que em qualquer outra fase da vida, caindo ao nível adulto só no fim da adolescência. O que a exposição vai decidindo é quanto de açúcar a criança passa a achar normal. Por isso a orientação de não oferecer açúcar antes dos dois anos aparece no Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos, na Sociedade Brasileira de Pediatria, na Academia Americana de Pediatria e na diretriz da OMS sobre alimentação complementar. Comprovar a recomendação é mais difícil. Seria preciso sortear bebês entre um grupo que come açúcar e outro que não come, e acompanhar os dois por setenta anos. Um estudo assim não se faz. O Reino Unido acabou fazendo esse teste por outro motivo. Em 1942, no meio da guerra, o país racionou açúcar em 40 gramas por dia para adulto, 15 gramas para criança e nenhuma cota para menor de dois anos. O racionamento terminou em setembro de 1953 e o consumo quase dobrou em poucos meses, enquanto carne, queijo, cereais e gordura ficaram nos mesmos níveis. Quem nasceu antes daquela data passou os primeiros mil dias com pouco açúcar. Quem nasceu depois, não. Um experimento que ocorreu sem planejamento, por consequência da guerra. Xingji Lian e colegas, da Universidade Médica de Guangzhou, publicaram em julho na npj Aging o que aconteceu com 60.394 dessas pessoas, participantes do UK Biobank acompanhados até 2022. Quem passou os primeiros mil dias sob racionamento teve 20% menos ansiedade e 11% menos depressão na vida adulta, com o cérebro aparentando cerca de cinco meses a menos de idade na ressonância magnética. O número que mais chama atenção no artigo é outro, 46% menos Alzheimer, e é o mais frágil de todos, porque sai de 123 casos. A demência sai de 307, e esses participantes tinham no máximo 71 anos no fim do acompanhamento, idade em que demência ainda é precoce. Os números de humor e ansiedade têm milhares de casos por trás, e são os que se sustentam. O achado mais interessante está na divisão por período. Quem pegou o racionamento apenas durante a gestação terminou com o mesmo risco de quem nasceu depois do fim do racionamento. A diferença aparece nos meses posteriores ao nascimento e cresce com eles, começa a ser visível aos seis meses, é maior aos doze e maior ainda aos vinte e quatro. A ressonância segue a mesma linha. Entre os racionados depois de nascer, 7 em cada 10 medidas do córtex avaliadas mostraram diferença. Entre os racionados só na gestação, quase nenhuma. Os autores explicam o resultado pela biologia da gravidez, a insulina da mãe, a inflamação, a marcação dos genes do bebê. A explicação não combina com o que eles mesmos encontraram, já que o grupo da gestação foi o que ficou igual. Existe uma hipótese mais simples que o artigo não testou. Dois anos sem açúcar podem formar uma pessoa que quer menos açúcar pelo resto da vida, e nesse caso quem protege o cérebro é a alimentação das décadas seguintes. A OMS justifica a recomendação dizendo que essa é a fase em que a criança aprende a aceitar alimentos e forma o padrão que leva adiante. O UK Biobank registra quanto de açúcar esses participantes comem hoje, e o estudo deixou o dado de fora. É a pergunta que eu faria aos autores. A mesma data de 1953 já rendeu um trabalho na Science em 2024, com 35% menos diabetes tipo 2 e 20% menos hipertensão entre os racionados, e a doença aparecendo quatro e dois anos mais tarde. Na edição 84 escrevemos que faltava à ciência ligar o cuidado do começo da vida a um desfecho décadas depois. Aqui essa ligação aparece. Para a criança que está perto de você, a recomendação dos dois anos ganhou a comprovação que ainda não tinha. Para você, vale o que dissemos na edição 86 sobre o suco de fruta. O paladar a gente educa em qualquer idade, e o que conta é o que entra no copo todo dia. |
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| A voz do especialista |
| Todo mundo olha para a inteligência artificial. E a inteligência biológica? |

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Enquanto acompanhamos a extraordinária revolução da inteligência artificial, uma nova fronteira ganha força na convergência entre biotecnologia, ciências da vida e da computação: compreender, decodificar e intervir na inteligência dos sistemas vivos. Trabalho há 23 anos com inovação, tecnologia e inteligência artificial. Mas nada se compara à velocidade dos últimos anos. A inteligência artificial avançou a passos que poucos imaginávamos. Talvez por acompanhar esse movimento há tanto tempo (e ter visto de perto tecnologias ganharem escala), tenho novamente a sensação de estar diante de uma transformação importante. Desta vez, meu olhar está voltado para algo muito mais antigo do que qualquer tecnologia criada por nós: a própria biologia. A Singularity University, referência em educação executiva sobre tecnologias exponenciais, vem trazendo a biotecnologia para o radar dos líderes globais que participam de seus programas executivos. A mensagem é provocadora: biotecnologia não interessa apenas à indústria da saúde. Como uma grande plataforma de inovação, tem potencial para transformar praticamente todos os setores da economia, e compreender seus avanços passa a ser estratégico para líderes de todas as indústrias. Penso que enquanto a maioria olha para a inteligência artificial, é hora de prestarmos mais atenção também à inteligência biológica. Uma inteligência muito antiga O termo aparece com diferentes significados. Na ciência, uma das referências interessantes é Michael Levin, professor de Biologia da Tufts University, formado em Biologia e Ciência da Computação e PhD em Genética pela Harvard Medical School. Seu laboratório integra biologia do desenvolvimento, ciência da computação e ciência cognitiva para investigar processamento de informação em sistemas vivos. Entre suas linhas estão a inteligência coletiva das células, a cognição basal e aquilo que chama de diverse intelligence. Levin investiga como células e tecidos coordenam informações e resolvem problemas coletivamente. Em trabalhos revisados por pares, discute como competências associadas à cognição podem aparecer em diferentes escalas biológicas. Isso não significa que uma célula "pensa" como um cérebro humano. Trata-se de investigar como sistemas vivos processam informação, coordenam comportamentos e se adaptam. Essa perspectiva amplia nossa forma de enxergar a vida: não apenas como um conjunto de componentes, mas como sistemas complexos de comunicação, adaptação e organização. Quando tecnologia e biologia se encontram De 2013 a 2019, liderando missões de inovação no Vale do Silício, estive diversas vezes na NVIDIA. Ali, acompanhei de perto sua aposta em IA e participei, com seus diretores e nossos clientes (empresários de tecnologia e de diferentes setores), de discussões sobre as possibilidades de aplicação da inteligência artificial nas empresas brasileiras. Por isso, considero estratégico acompanhar hoje a NVIDIA avançando diretamente sobre as ciências da vida. Em janeiro de 2026, NVIDIA e Eli Lilly anunciaram um laboratório conjunto de inovação em IA, com investimentos de até US$ 1 bilhão em cinco anos. A iniciativa reúne cientistas da Lilly com pesquisadores e engenheiros da NVIDIA para aplicar inteligência artificial, computação acelerada, automação e robótica à descoberta e ao desenvolvimento de medicamentos. E esse não é um movimento isolado. Em junho, a NVIDIA lançou o BioNeMo Agent Toolkit para biologia, química, genômica e descoberta de medicamentos. Lilly, Schrödinger e o Institute for Protein Design da University of Washington estão entre as organizações que adotam a tecnologia; Anthropic e OpenAI estão integrando-a. Ao mesmo tempo, empresas como Recursion, Insitro e Isomorphic Labs nasceram justamente na convergência entre inteligência artificial e biologia. Tecnologia, indústria farmacêutica, ciência e investimentos estão se encontrando nesse território, aproximando capacidades que até pouco tempo avançavam em trilhas distintas. Novas lentes para compreender a biologia Nunca tivemos acesso a tantas camadas de informação sobre a vida. Genoma, epigenoma, proteoma, metaboloma, microbioma e imagens sofisticadas revelam dimensões diferentes do funcionamento humano. A inteligência artificial acrescenta uma capacidade inédita de encontrar relações em volumes de informação além da nossa capacidade individual de análise. Isso não significa compreender completamente a biologia. Ao contrário: quanto mais conseguimos enxergar, mais percebemos sua extraordinária complexidade. Mas estamos desenvolvendo ferramentas para navegar por ela, formular hipóteses, acelerar experimentos e transformar conhecimento científico em novas possibilidades de prevenção, diagnóstico e tratamento. Inteligência biológica e HealthSpan É aqui que essa transformação me interessa particularmente. A pergunta predominante da longevidade foi: como viver mais? A ciência do HealthSpan acrescenta outra: como viver mais anos com saúde, autonomia, vitalidade e propósito? Responder a essa pergunta exigirá compreender melhor como nossa biologia funciona, se adapta e se transforma ao longo da vida. A convergência entre inteligência artificial e biotecnologia está acelerando descobertas científicas, novos medicamentos, tratamentos e estratégias de prevenção que hoje sequer conseguimos imaginar. Por isso é tão importante perceber para onde a ciência, a tecnologia e os investimentos estão se movimentando. Inteligência artificial e inteligência biológica não são concorrentes. Tampouco representam eras sucessivas. A inteligência artificial pode se tornar uma das ferramentas mais poderosas que já criamos para compreender uma inteligência construída ao longo de bilhões de anos de evolução: a inteligência dos sistemas vivos. Enquanto o mundo olha, justificadamente, para a IA, é hora de prestarmos atenção à inteligência biológica. Uma das grandes fronteiras da inovação pode estar justamente nesse encontro: usar a inteligência das máquinas para compreender melhor a inteligência da vida e transformar esse conhecimento em ciência, prevenção e tratamentos capazes de nos ajudar a viver mais e melhor. Afinal, inovação em longevidade só fará sentido se conseguir cumprir esse propósito: acrescentar mais vida aos anos. |
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| Ciência na prática |
| Como fazer a proteína virar músculo depois dos 60 |

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Aqui na News a gente repete, e vai continuar repetindo, que o benefício de mudar os hábitos independe da idade. A idade traz limitações, claro, mas os benefícios existem. Já escrevemos sobre isso muitas vezes, como na edição 34, com centenários que baixaram marcadores de inflamação no sangue depois de vinte minutos de exercício. Agora damos mais um duplo clique na musculação, junto com o consumo de proteína, a partir de uma revisão de 46 estudos que Jonas Kristiansen e colegas, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicaram em junho na Frontiers in Physiology. Os estudos reúnem 1.280 pessoas saudáveis, 700 com 60 anos ou mais e 580 jovens, e medem quanto músculo novo o corpo fabrica ao longo de algumas horas. Em jejum e depois de comer, quem passou dos 60 fabrica um pouco menos que o jovem. A quebra do músculo foi medida em 13 estudos e ficou igual nas duas idades na maioria deles, por isso os autores recomendam concentrar o esforço em estimular a construção. Quando a proteína vem depois de um treino de força, a diferença entre jovens e idosos desaparece em 7 de 9 estudos. A proteína da refeição chega normalmente ao sangue de quem passou dos 60, e a dificuldade provavelmente está no aproveitamento pelo músculo. O treino deixa esse músculo pronto para usar a proteína que chega depois. O músculo mais velho, porém, precisa de um estímulo maior para chegar à mesma resposta. A maioria dos estudos usou seis ou mais séries para a coxa, com 70% do peso máximo que a pessoa consegue levantar uma vez, acima das recomendações internacionais para idosos. Na proteína, a resposta do idoso tende a alcançar a do jovem quando a refeição tem mais de 20 a 30 gramas de boa qualidade. A faixa diária que trouxemos na edição 47 vai de 1,2 a 1,6 grama por quilo. Depois dos 60, o mais provável é ficar perto de 1,6, mas o seu número se define com um profissional de saúde. Os resultados com treino vêm de estudos pequenos, muitos com 10 participantes ou menos. Nos dois estudos em que a diferença continuou, o estímulo estava entre os mais fortes da revisão, então a dose ideal ainda não está definida. E a revisão mede só algumas horas de fabricação, em pessoas saudáveis, sem os idosos frágeis ou doentes e sem o músculo ganho ao longo de meses. O estudo dinamarquês que trouxemos na edição 8 olhou para o longo prazo, com 369 pessoas de 64 a 75 anos. Só quem fez um ano de treino pesado e supervisionado manteve a força das pernas quatro anos depois, e quem treinou com carga moderada perdeu força, assim como quem não treinou. Ou seja, a carga pesada também faz diferença ao longo dos anos. Na prática, se você passou dos 60, treine força com a carga certa e, depois, faça uma refeição com proteína suficiente. A idade aumenta a dose necessária, e o músculo continua respondendo. |
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| Notícias da semana |
| 💡 Um remédio criado por IA fez seis relógios de envelhecimento marcarem idade menor. Testado pela Insilico em 42 pacientes com fibrose pulmonar, o rentosertib reduziu a idade estimada em três a quatro anos no melhor grupo. Esses relógios, que podem encurtar os testes de remédios contra o envelhecimento, ainda estão em desenvolvimento. O próprio estudo não consegue dizer se os pacientes envelheceram mais devagar ou se só o pulmão melhorou. |
| 💡 A Eli Lilly, dona do Mounjaro, investiu num remédio que quer tirar gordura sem tirar músculo. A Moonwalk, cofundada por Feng Zhang, um dos inventores da CRISPR, recebeu US$ 70 milhões. O remédio desliga genes só na gordura, e em animais o peso caiu sem mudar o apetite nem tirar músculo. Com os remédios atuais, parte do peso perdido é músculo. O primeiro teste em pessoas fica para 2027. |
| 💡 A Inspiren recebeu US$ 70 milhões para detectar quedas de idosos com inteligência artificial. Os sensores da empresa ficam em residências para idosos e avisam a equipe quando alguém cai ou precisa de ajuda. Com a rodada, ela passou a valer mais de US$ 500 milhões. A aposta tem motivo. Na América do Norte, as pessoas com 85 anos ou mais são o grupo que mais cresce. |
| 💡 A System recebeu US$ 20 milhões para vender peptídeos pela internet. Em julho, um comitê da FDA recomendou liberar seis peptídeos para farmácias de manipulação, e startups surgem para aproveitar a mudança, que ainda depende de decisão final. A System cobra de US$ 89 a US$ 219 por mês pelo tratamento, com consulta on-line e entrega em casa. Mas a maioria dos peptídeos nunca passou por grandes testes em humanos. |
| 💡 Os fundos L Catterton e Altas Partners fecharam acordo para comprar o controle da Fullscript. Na plataforma canadense, mais de 135 mil profissionais indicam suplementos e exames para 10 milhões de pacientes por ano. A compra depende de aprovação dos reguladores e deve terminar até dezembro. Em agosto, a L Catterton acertou a venda da Thorne, marca de suplementos, à P&G por quase seis vezes o que pagou em 2023. |
| Vale saber |
| Mia Couto, em "Línguas que não sabemos que sabíamos" |
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Próxima edição na quinta, às 12:12.
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